domingo, 29 de junho de 2014

Filho de Putin!

As palavras obscenas são notícia, pelo apelo à não utilização, na Rússia. Em qualquer lugar onde a arte, e a expressão particular de vida, se faça expressar está decretada guerra aberta, por força legal, às palavras obscenas. Mas que pénis são palavras obscenas?
Vamos dissecar o significado de obsceno mas antes dá mesmo vontade dizer: filho de Putin!

Quais os significados do que é ser obsceno?

Contrário à decência ou ao pudor é a primeira definição onde cabem as palavras obscenas. Ora bem, a decência tem que ver com as maneiras, com o porte e com a linguagem que se possa utilizar - dizem. A decência anda, portanto, de trela. Não importa, tudo de fora do âmbito das artes obviamente, se há encenação ou corrupção de movimentos ou pensamentos cortantes. Mais: pouco importa se há acções diplomáticas dilacerantes - o que interessa mesmo é o maneirismo certo que as palavras obscenas não têm.
Multas. Ora quem em uma passagem de um livro estiver a descrever a expressão de desagrado mais genuína que a oralidade tem que é um, em linguagem decente, vai-te masturbar pode ter de dar ao estado mil euros. Já um cidadão que vá na rua e responda com vontade a uma injúria qualquer, terá de pensar - sim porque a oralidade é tantas vezes espontânea e tradutora  de emoções - e converter: vai para o pénis que dá prazer! Filho de uma senhora que cobra para ter sexo! Vai aos requícios dos intestinos!É que a multa é de cinquenta euros por boca.
Bom, palavras obscenas também querem dizer que são contrárias ao pudor causadoras, portanto, de embaraço. Sendo a arte a representação do real através de diferentes narrativas carregadas de riso ou de choro ou de vergonha ou de medo ou ou - porque a arte está carregada de vida - restringir a forma de expressão constitui, de facto, um dos maiores atentados ao pudor que me lembro.
A mesma coisa será estar a dizer que, a partir de agora, a vida, porque a arte é a vida colorida, vai passar a apresentar ao estado uma declaração periódica - não mensal nem trimestral - ao minuto. 
Esta é uma lei já aprovada pelo parlamento russo e assinada pelo presidente. Senhora que cobra para ter sexo e deu à luz! masturbe-se!; pró pénis com Putin!

As palavras obscenas são ofensa?

Na verdade, comparar palavras obscenas com palavras ofensivas é uma obscenidade do pénis. Palavras ofensivas cabem naquilo que é alguém dizer-me que se nota bem que sou uma mulher contida - e não um qualquer piropo que não é sentido mas apenas expelido. É que se pensarmos todos bem nisto estamos a ter relações sexuais e mal pagos!
Ainda não há mas vai haver uma listinha com a relação de palavras obscenas proibidas na boca dos russos, incluindo dos organizadores de eventos artísticos de teatro, culturais, educacionais ou de entretenimento - e pessoas singulares.
Não sei se está a perceber que estão a tapar literalmente a boiKa, e também os olhKos, aos russos...
Mas para quem aprecia, como eu, as palavras obscenas, aqui fica uma breve legenda à maneira:
caralho;
vai-te foder;
vai para o caralho que te foda;
filho da puta;
vá à merda;
puta que pariu;
foda-se;
pró caralho

estamos fodidos e mal pagos

sábado, 28 de junho de 2014

que é isto, chiça penica?

há gajos que não se enxergam mesmo. e se responder à maneira é pior. ia dizer-lhe para fazer o convite à Manuela Ferreira Leite.



28 de Junho de 2014 18:29
ola
estou a enviar-te esta mensagem para te dizer que és muito bonita

e já foste ou pensaste alguma vez fazer algum trabalho de modelo fotográfico? (se não tiveres qualquer experiência até é preferível)
se sim, gostava de poder propor-te um projeto fotográfico artístico e pessoal que quero retomar de há alguns anos e no qual colaborarias com a minha namorada também como modelo
queria também dizer-te, e para que também não se criem expectativas que depois podem sair frustradas, que a 1ª sessão fotográfica será um casting para avaliar outras qualidades para além da beleza física e também por isso não será fotografada

bjs

quinta-feira, 26 de junho de 2014

não é mentira alguma o que dizem, que tenho paciência de santa. mas as santas, digo eu que não sou santa mas apenas lhes carrego a paciência, lá terão os seus limites se viverem com um tirano castrador. e que uma santa me mostre quando ela, a paciência, já rebentada, continua a esticar.

talvez seja a sapiência que rime com paciência derretida. ou com foda-se.
como se uma primeira vez de olhar
for suficiente
e as dúvidas, tal como as nuvens,
a dissipar
todas
todas
como são os olhos que se lavam
calma ansiosa
no mar
de certeza que ri
e rio
ai clareza na garrafa pintada!
rasgos de luz assada
brilho estrelado e alma panada a tocar
com espinafres.
mas o que é isto?!, onde é que vivemos?!, um gajo criminoso anda por aí a roubar e é aclamado por ter uma cara larocas? esta gente está tola. mulheres, aos montes, com comentários no FB onde só falta dizerem que gostavam de ser enrabadas por ele até ao resto da vida. que miséria.
se fosse feio e tivesse ajudado um cego na rua chamavam-lhe corno.
a eficácia da palavra ignorância, quando verbalizada perante alguém, é poderosa. se lhes chamasse filhos da puta, perdia a razão que lhes era cedida automaticamente. como lhes chamei ignorantes, ao casal piroso, trataram de ameaçar de morte e de violência física e de injuriar. se me chamarem ignorante eu rio, mas rio mesmo muito, por saber que não sou e por não ter atitudes que se coadunem com ela - com a ignorância.

a eficácia da ignorância resulta, então, em si mesma, em ignorância. que bela conclusão matinal. e a apresentação de queixa na polícia, por ter conhecimento de gente que quer maltratar animais, também será eficaz - pois produzirá o efeito de mostrar aos ignorantes o quanto os reguladores da ordem pública os considera ignorantes.

haverá maior penalização para um ignorante admitir-se, por força terceira, ignorante?

sábado, 21 de junho de 2014

as pessoas andam doentes. há uma espécie de paranoia colectiva preocupante: cumpro as minhas responsabilidades de cidadã em relação à minha cadela: passeio-a com trela e corpete, vacino-a e apanho-lhe todos os dejectos sólidos. no entanto, acabei de ser ameaçada verbal e fisicamente no meio da rua - além da ameaça de morte por envenenamento dela. querem impedir-me de passar em uma rua, alegando que é por causa da minha cadela que têm o filho doente da barriga. mais: insinuaram que por tratar tão carinhosamente um animal devo aproveitar-me sexualmente dele. isto é grave, é ignorante e é perigoso. não sei o que vou fazer mas que me aguardem. as pessoas não têm mais o que fazer senão terem ataques de raiva. que nojo de gente e de mundo triste!
dois momentos tão simples de riso. porque o riso é simples.
sair à rua e ouvir dizer que as batatas do campo não são marelas nem a saber ao cardido como as outras; em casa, apreciar o meu pai a comer sardinhas com faca e garfo, cheio de elegância, e a derreter-me o juízo por eu lhes meter as mãos e lambuzar-me na gordura delas com alegria.
devo ter aspirado outra vez. antes a tecla foi aspirada mas tinha ficado o botãozinho que a segura, dava para utilizar. agora quilhou-se tudo e já não posso ir para a direita a não ser com o rato. desconsola-me pensar que isso faz de mim uma utilizadora por necessidade. mas não tanto como pressentir com os olhos o lixo acumulado por entre as teclas.

está bem, venha o rato.
como poder ter frescura se não em aurora candura?

terça-feira, 17 de junho de 2014

definitivamente sou anormal: não há umazinha sequer emoção que me salte por causa da selecção. não me toca nem em um espigão que apareça num dedo qualquer quanto mais no bico da mama. só tenho pena de ter que levar com a barafustação durante os jogos, puta que pariu.
quer dizer fico a saber o mesmo - se gostou, se não gostou, se zangou, se tossiu, se sorriu, se foi cagar logo a seguir para a minha conversa. até perco a vontade de falar, pois claro, que castração.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

sábado, 14 de junho de 2014

sexta-feira, 13 de junho de 2014

médicos são médicos e os corpos, para os médicos, ou pelo menos dentro dos consultórios, já que pelos corredores não é bem assim, são objectos de estudo e de diagnóstico. mas há especialidades médicas que podem ser autênticos momentos de tortura de tanta vergonha que provocam.

agora tire as cuecas até aos joelhos, deite-se e abra as pernas.

só dá vontade de dizer: vou nesta, diga isso a outra, era o que faltava, seu desconhecido nojento, rabudo, ogrento.

mas entretanto a vergonha insiste em ficar envergonhada. até parece que vergonha desta é, nos consultórios, precisa. e é. puta que pariu, vergonha desmedida.
ai! amor!
não sei como podem ter-te, e espalhar-te, como ao gás de xisto!
ouve: não és benefício estupor, meu amor.

achas que se fosses me querias - logo eu que não te resisto?

sábado, 7 de junho de 2014

a ESC:ALA voltou!



cheia de coisas fortes e doces e macias e nutritivas e gostosas e quentes. hummm.
agora é tão bom, é bem melhor, quando saio do computador e depois chego. no fundo aparece, em letras pululantes e cor de rosa, como se viessem do fundo e tivesse sido o fundo a escrever, assim:

derrete-me d'amor.
 até dá vontade de andar sempre a sair só para chegar!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

terça-feira, 3 de junho de 2014

bilhete

ingenuamente convencida de que não há tesão que resista a um sítio mal amanhado, atrevo-me a deixar um bilhete depois de arranjar uma jarra com flores frescas:

pai,

depois de tomares o pequeno almoço, mete a louça DENTRO da banca e abre um pouco a água. passa um pano no individual;

antes de saíres da casa de banho faz a descarga, passa papel nas bordas da retrete, põe o líquido lá dentro e fecha a tampa. deixa a cortina da banheira até meio e não deixes a toalha no chão;

abre um pouco da janela do teu quarto enquanto vais para a casa de banho.

até logo e bom pinanço.

(isto não vou dizer, não vá algum imprevisto acontecer e quando puder vir para casa apanhar - como o costume - com o azedume das bolas cheias)