sábado, 30 de abril de 2011

não é ser póstumo o melhor da vida de muitos?

então, eu não sei bem se II é indicado para o Papa João Paulo visto que depois de morto foi urnado - talvez para reforço da sua importância - em três.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

amor e uma mesinha de cabeceira

(entre casal)

tu estás triste, querido, não mintas, desabafa antes que caias em depressão.
tu conheces-me bem demais, meu amor, para eu não o assumir.
e então? problemas com alguma das tuas amantes?
sim: aquela que já andava há mais de um ano, lembras?, desertou.
deixa lá isso, amor, eu estou aqui. lembra-te sempre o quanto a fizeste feliz, isso passa, amanhã vais para a net e conheces outra.
nunca me arrependo de ter casado contigo: sem ti não seria capaz de arranjar forças para outras mulheres.
nem eu, nem eu, amor. agora faz um esforço para me veres a mim aqui na cama, preciso sentir que tu me amas.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

telhado mudo





mas que é isto, que estou tonta do juízo, um cachorro à americana, quente no seu desprazer, na casa que não quer viver, aposto que mal abre a pestana, infeliz, que a cauda bate na lama, atento ao vibrar do monte: daqui já estou a soltar-te, cor de mel, quero que saltes e rebentes com tudo: faz-te rei, que esse telhado será sempre mudo.

baía das porcas zero - pés sorridentes um

é incrível ao que as mulheres se sujeitam em busca de aparências perfeitas - sombras de almas desfeitas: eu vi, com estes olhos que um dia a terra não há-de comer e com os cornos que todos os dias se deitam na palha, agora lembrei-me desta expressaão tão engraçada que li, que me disse, casmurrice e graça é como defino a sua boca, mulheres a serem embaladas em frigofilme e enfiadas numa espécie de forno para, por aquecimento, perderem a banha. aquilo parecia a baía das porcas. é que depois ficam, temporariamente, como o entrecosto grelhado, com riscas escaldadas nas carnes e na alma também - cada risca de quente equivale a um centímetro (isto sou eu a imaginar as suas almas, sem gente, a pensar). e depois vão para casa contentes insultar o assado que é pecado e o pão de milho que não é para ser fodido. e ao fim de vinte idas ao forno a garantia de encolhimento é vendida, como que em segredo, contada aos poros da pele, massacrada, que nem respira nem nada.

já a minha oferta de massagem, descobri que afinal a páscoa traz coisas duras, que é isso dos moles em tudo,  foi reveladora: não possuo tensão acumulada no dorso - o que hoje em dia não é normal - nem sofro de tendinites na alma, à conta do que o rosto das mãos se riu. até a fazer massagens se pode conversar e melhorar o dia de alguém. tanto que ganhei um prémio, talvez de miss tagarela: uma massagem especial aos pés. e os meus pés já só aguardam, com bocarras sorridentes, mais uma conversa.

terça-feira, 26 de abril de 2011

costas em risota

e diz: nunca tinha feito uma massagem a alguém que risse tanto por sentir cócegas nas costas. são cócegasinhãs, disse-lhe eu.

vermelho-amor

é, afinal, papoila o amor: em vermelho sobe ao palco dos montes agrestes, sem vestes, deixando por trás, para trás, o asfalto vestido de lestes.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

liberdade é ter, na incerteza do que é viver, a certeza do que é a vida

pevide subserviente

ouvi uma mulher dizer que dorme sempre em camisa, mesmo de inverno quando tem frio, não porque gosta ou quer, para que seja mais fácil e rápido o marido penetrá-la quando acorda, de repente, durante a noite.

(faltou pouco eu sujeitar-me a levar uma chapada e dizer-lhe que mais fácil ainda seria ela dormir de pernas abertas e com palitos na pevide para quando lhe desse a vontade, ao outro, ser só enfiar. que podridão.)

os vegetarianos não comem fruta

os crematórios, estive a pensar, só podem mesmo ser uma invenção dos vegetarianos. explico: nós alimentamo-nos das árvores através da sua fruta. depois morremos e somos enterrados e as àrvores alimentam-se de nós e nós transformamo-nos em fruta - ora se andamos há milénios a comermo-nos uns aos outros, pois claro que o mundo não passa de um movimento de canibais.

domingo, 24 de abril de 2011

vêm à procura de dias diferentes, são gentes, e nem sequer pensam nisso, no arroz de excursão, pois então, que aos olhos é salteado com chouriço e a salpicão - carnes gordas e salgadas que lhes embala o coração.

droga barata

estou, sei agora mais do que nunca, certíssima: falo com homens e mulheres, novos e velhos, e está decretado: o sexo é, droga barata, o ópio do povo.

salva pelos foguetes (será castigo por eu ignorar a páscoa?)

deve ter sido a primeira e última vez que algum dia gostei de foguetes: e foi ainda agora. acordei como se a cair de uma ponte, suor nas mamas e na fronte. estavam todos, mãos e olhos de mundo, de gente que não tem fundo, a agarrarem-me e a obrigarem-me a comer a papa da modernidade para eu me limpar: uma mistura de batatas cozidas com morangos e miúdos de porco para eu vender o meu corpo e a minha alma - a papa era o elixir, a que me obrigavam, do futuro: desprezar, recusar e abandonar o amor. e se eu a comesse ficaria limpa de poesia real, e de romance e de sonhos acordados, de vida.

(pum, pum. foda-se! nunca pensei dizer isto: foguetes, mis pitufos preciosos. e a culpa é tua, menino Tubarão, por ter lido o teu texto, sobre gentes que vendem o corpo e a alma, depois de chegar de um aniversário, antes de dormir)

sábado, 23 de abril de 2011

olhos lavados

tempos, corridas, passos a trote - cidades que limam e calcam a sorte. e permanecem as belezas, poucas, pequenas, antigas: que lavam os olhos das modernas fadigas.

P.S. Vou para o tesouro: não posso escrever mais. Maldita seja a Pátria e a Finança!

Carta de amor de Almeida Garrett à Viscondessa da Luz

6 de Agosto

" Tu já não és só a minha amante, a mulher a quem dei para sempre o meu coração: és mais que isso, és realmente a esposa da minha alma, aquela a quem tenho consagrado a minha existência, e para quem somente quero viver.
Juro-te isto à face do céu e da terra, por minha honra te prometo. Que mais queres que te diga, que mais há que prometer ou que fazer?
O susto que ontem tiveste à saída é completamente infundado: à vista te darei razões tão seguras que se há-de desvanecer todo o receio. Não as quero confiar agora ao papel. mas seguro-te e prometo-te que não tens que recear. - À noite espero ver a T. e o convencerei também a ele que é um verdadeiro alarmista. sabes tu?
A noite de ontem, minha alma, foi o dia mais belo da minha vida. Oh Deus eterno! como eu vivi, o que gozei! Se pode haver céu depois disto?
Ninguém me persuadirá jamais que há no mundo quem se ame tanto como nós nos amamaos.
Eu sou plenamente feliz, não quero mais nenhum. E tu? Dize. - Oh! tu amas-me e és feliz, bem o sei. Mas tem coragem para ser feliz, que é só o que ainda te falta: la courage du bonheur. Adeus, adeus, até amanhã? Não é verdade?

Teu para sempre"

sexta-feira, 22 de abril de 2011

língua amada

caminhar com a chuva a amar, nem sei porque costumam dizer a bater, é uma sensação maravilhosa. se eu fosse doida por gelados, mas não sou, diria ser como quando se prova um num dia de calor.

assim, digo que ela cai a amar e eu ponho a língua de fora para senti-la melhor e sabe mesmo a isso: a amor de chuva.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

paredes caiadas

do monte se fez caule:
pétalas felizes de serem sós, que roubam o sorriso das gentes e caiam as paredes, contentes.

sofás dissonantes

será que sentir remorsos é igual a sentir peidos que querem sair e depois aperta-se, aperta-se, até eles se espalharem pelo corpo todo e se deitarem por tudo o que é lado? até posso dizer que os peidos reprimidos são aqueles que se deitam nos sofás do corpo. e os peidos não gostam de sofás - gostam de correr, sonantes ou em shiu, nos prados.

(chiça-penica:. se assim é, nem faço ideia da cor e do cheiro dos sofás da alma em que os remorsos se deitam. é isso: uma alma com remorsos é uma prisão de chaise-longue.)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

atreve-te a aranhar

se tiveres coragem para tirar uma aranha da camisa de um estranho, tens coragem para tudo.

(é que o sentimento de crise faz aumentar os pensamentos supersticiosos e corres o risco, sério, desse estranho chamar a polícia por lhe teres roubado a carteira)

vermelho-gloss

é o vermelho vivo do sangue que desce para grudar as cuecas das mulheres que grita bem alto bom dia.
víspere, dizem muitas, talvez por ser podre e escuro.

vem, faço-te uma festa, meu sangue gloss, digo eu.

(se eu penso tu também mereces)

rio: só(r)rir

ris. por que te ris homem?
ris. por que te ris gaivota?
(rir pelo tudo e pelo nada - por não ter de nadar - em mim. e eu sou, e porque sou só, rio.)

terça-feira, 19 de abril de 2011

o nariz e as mamas agradecem: obrigada.

já tinha saudades do sol fechado e do fresquinho roubado: os óculos de sol cansam-me e as mamas pingam-se-me todas.

mãeravilhosa

uma mãe maravilhosa dá sempre aos filhos uma parte de si.

(a alegria e a teimosia e a ineficiência e insuficiência do pâncreas)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Camélia em dança

e é um sorriso que escapa de uma alma em brasa, como se boca de criança, que em ouro se faz trança - camélia, que aos olhos me dás febre: permites-me uma dança?

sabias disto?

a expressão 'olho por olho e dente por dente' surgiu quando o povo decidiu traduzir a lei de tailão, no mais antigo sistema legal já descoberto, no código de hammurabi, cujo artigo mais emblemático refere-se à punição dos crimes graves pela aplicação da reciprocidade: o mal causado a alguém era igual ao castigo.

curiosamente, os sistemas legais foram alterando mas esta lei continua actualíssima ao nível da justiça pessoal. e é nestas e em muitas outras coisas que, cérebro em cruzamento, o meu, concluo: são tão poucas as gentes que, de facto, evoluem; o humano, que não sabe ser, esquece-se da evolução mais básica e mais importante que existe - a de si próprio. e o mundo, redondo, não passa, de isso mesmo, de um círculo gigante e viciado de maldades que geram maldades para vingarem maldades - tudo mal, tudo ao contrário. e são, curiosamente, os elos mais fortes - os que contrariam o círculo vicioso - que são tidos (e punidos) como os mais fracos. e isto, simplesmente, porque contrariam a corrente ao exaltarem as coisas simples e básicas. e é tão simples de perceber - e é tão complicado de fazer perceber. tão simples e tão complicado porque depende de cada um.

e tu:  não queres começar hoje a ser simplesmente simples, tailãonês? é simples: começa, simplesmente, pelo básico se não queres permanecer básico. e isto, sim, é básico.

domingo, 17 de abril de 2011

lepra, não. sarna: será sarna?

lepra não deve ser, senão já me tinha caído um pedaço. mas pouco deve faltar - se não parar de me coçar.
e se for intoxicação alimentar? não, não pode ser porque não andei por aí a pastar. e hoje não conta, fruto da morta a enterrar, porque já dura há uma semana.

(a sarna pode ser psicossomática? vou, entre uma e outra coçadela, investigar)

o funeral dos vivos mata

a morte é sempre um acontecimento grandioso para quem vai e para quem fica. quem vai, tem a oportunidade de morrenciar outras experiências: vai-se o corpo e fica-se a alma. em último caso, no caso de almas pequenitas, roubar passa a deixar de ser pecado porque a possibilidade de se ser apanhado deixa de existir. em outros casos, talvez amiúde, os mortos expostos em caixão aberto, tesos, vestidos literalmente para morrer com a roupa que lhes ficava a matar, adquirem a importância, a única - quem sabe -, de serem, por horas a fio, admirados e comentados e atencionados. arrisco dizer que morrer é subir ao palco da vida, da própria, e conseguir enfim, por fim, ouvir em primeira mão o que todos os que rodeiam pensam e dizem ou dizem o que não pensam. (é tudo à grande, tudo à grande)

para quem fica, para a grande maioria de quem fica, porque lamentavelmente as grandes fatias cabem sempre aos desvirtuados, a morte de alguém passa a ser o grande momento de glória - da Dra.Marta ou da Zefa, do Tono ou do Eng. Mascarenhas -: a de levarem a cabo todos os esforços para serem aplaudidos e ganharem, sebo nas mãos de tantos apertos, reconhecimento. e depois vem a parte em que a morte do morto vem relembrar a falta que fará a cada um e não a falta que fará enquanto gente. ou seja: a lengalenga do coitado, vai fazer-me tanta falta e agora quem me dará conselhos, quem me fará isto, quem me fará aquilo - é mesmo conversa típica dos vivos que passam a vida a encornar e, neste caso concreto, fazem do morto, à letra, o verdadeiro corno manso da vida. um morto que foi um verdadeiro vivo é um morto que merece a maior fidelidade do mundo: a fidelidade de continuar a ser, sem esforço, o amor, de corpo e alma, para a vida.

eu aviso, desde já, o mundo que quero uma festa quando morrer. podem chorar ou rir, como apetecer, a ouvir samba ou kizomba; e quero comida, muita comida da boa porque não serei, estou certa, uma morta de fome. e nada de caixões que dá-me os calores e passo-me: se querem adorar o meu corpo, embalsamem-me e pendurem-me e vistam-me o vestido mais cor-de-rosa e mais decotado que eu tiver. e as garras quero-as, como sempre, pintadas e brilhantes - as das mãos e as dos pés.

(em relação à alma, não se preocupem: só precisam de masturbação na morte as almas que foram murchas na vida)

sábado, 16 de abril de 2011

seiva, lágrimas e suor


chamam-lhe água mas é seiva: reflexos dos veios do caminho;
chamam-lhe água mas são lágrimas: lustre viva do fundo sozinho;
chamam-lhe água mas é suor: líquido amniótico do prazer em amor;
água, chamam-lhe, do pé, lisa, viva: água que não é nem mais nem menos - senão vida.

cataratas de urinagara

pensar que, já em final natural da vida, toda a urina libertada, por cada gente, daria para montar uma catarata de águas mornas e em tom de chá. que imagem tão bela, de repente. bela e insólita.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

viva o Talinhos!

tenho a certezinha absoluta que Tales de Mileto havia de me abençoar: ele era o máximo e sabia, tinha a digna sabedoria, reconhecer os seus semelhantes.

(e haviamos de comemorar as conversas com cigarros gregos de mentol. que maravilha. ai que grande sorriso de narcisismo)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

liberdade: mas muita

por aí, por aqui, vou ouvindo que os cães têm de cacar acolá e sentar quando os mandam e comer fora das horas dos outros de duas patas e andar ao lado e, e, e. cadela que é cadela caca, desde que no exterior porque não é burra para cheirar o que caca, onde e quando lhe apetece; não obedece a ordens - simplesmente ouve pedidos; e come quando tem vontade e, se preciso for, em cima da mesa; e não anda com trelas nem ao lado - anda ou corre como se sentir melhor. e, no final, porque os cães são o reflexo dos donos, sim, é o chamado MKT pessoal canino, é eleita - pelo respeito que consegue dar e receber no meio de tanta liberdade - miss delícia: por quem passa ou por quem fica.

mas quem é que a quer domesticar? eu, não. e quem não estiver bem que apanhe o quinze e que vá apreciar as jaulas do canil - aqui vive-se em liberdade: mas muita.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Portugal, também Lisboa: asas e anzol


pertencem, janelas assim, às cidades das asas - cidades sem nome, ricas de céu e de sol, de onde do cume se lança o anzol. são janelas, filhas das casas amarelas, que de cima vêem o mar - Lisboa veste-lhe as penas, almas que são grandes: almas que valem por não serem pequenas.

será?

acho que estou com lepra.

terça-feira, 12 de abril de 2011

muito alto - contrabaixo

são como formiguinhas frenéticas os dedinhos deles que fazem música. e, depois, o tecto pintado e o candeeiro de cristal, como que alado. e os camarotes pequenos - que enchem os corações, dos outros, amenos, de alegria: ao contrário do coração, quente e brilhante, da tia.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

tomaraquecaia para a certezaquelevanta

 uma reina sabe sempre amansar as cobras e atiçá-las até ao ponto das cobras ficarem convictas que estão a enganá-la. e depois as cobras cospem o veneno e a reina, imune às cobras, dá-lhes beijos de verdade para lhes afagar a mentira. toda a gente sabe que as cobras são a mentira pegada e as reinas a verdade sagrada.

( e hoje há concerto lindo, muito lindo: e ele merece um vestido - tomaraquecaia - cor-de-rosa-sinhã)

é ouro. é, somente, tesouro, semente.

passadeira ondulada em ouro, tesouro, onde me levas tu?
sigo-te num mar ardente, sorriso de céu contente, cegas-me de olhar nu?
ondas a passo, sem tempo nem espaço, a caminho de lá - a compasso onde se perde, perdido, o choro do sol em sentido e se ganha, bandido, o sorriso do sonho de gente, emergente, nos lábios dos olhos da mente.
é ouro. é, somente, tesouro, semente.

domingo, 10 de abril de 2011

saltar, saltar

as vulvas são vurras

os homens são mesmo engraçados: fogem, cagões, das mulheres inteligentes como do roço da pila de um paneleiro no cu: sentem que podem ser enrabados perdendo, assim, a masculinidade - e o que mais é ser homem, vão-nos mostrando eles, orgulhosos, senão foder e enrabar vulvas?

(ai que riso. não deixa de ser divertido assistir, na plateia, a filmes assim)

sábado, 9 de abril de 2011

lenteiro

a palavra do dia do priberam é lenteiro. eu havia de ser linguísta, e ser consultada nestes assuntos, e colocava como sinónimo de lenteiro vulva. depois abria, em vulva, um link onde mostrava um gráfico de queijo, de leitura fácil, afecto ao sinónimo, com uma fatia quase total.





sexta-feira, 8 de abril de 2011

cada cérebro a sua cabeça e cada cabeça a seu pescoço

já se acredita que num futuro próximo, muito próximo, faremos download, e colocaremos na internet, do nosso cérebro.

que puta de descoberta, que dizem maravilhosa, é esta? sou de recusar sair do lugar onde estou - assim como responder à questão que, talvez em breve, se seguirá: penso logo existo - mas onde?

éticar

ter ética é amar: ser ético é afirmar as acções e não as palavras - é a possibilidade humana de reconhecer o outro como alguém importante e de, ao mesmo tempo, reconhecer-se nele. é o amor que nos escolhe e não pode ser o contrário, porque o amor não é um jogo: ele exige reverência, respeito, dedicação e honestidade.

(à minha moda, Tolstoi disse: chiça-penica, não faças nada que contrarie o amor.)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Leandro Konder e uma 'aventura' com os sete - a não perder




Leandro Konder põe a nu, sobre o olhar de filósofos, escritores e poetas, usando figuras ilustrativas e epígrafes extraídas de músicas brasileiras, o que Sócrates, Marx, Camões, Balzac. Dostoiévski, Guimarães Rosa e Drummond disseram sobre o amor - esse belo e grande impulsionador das acções humanas que "teoricamente viria para mostrar aos seres humanos como equilibrar a psique, como lidar com a ida ao outro (alter) sem se alterar demais, a ponto de perder sua identidade. Muita gente teme a 'aventura' do amor e prefere renunciar a ela. O prejuízo é grande: o conhecimento da condição humana sofre com a perda da posssibilidade de viver uma experiência humana fundamental", diz o leandro, e insubstituível - digo eu.

concluirá o leitor o que quiser - ou como quiser concluir em paralelo com o que, de facto, conclui -, a literatura não pode ser de outro jeito, e eu concluo assim: o amor é a única experiência verdadeiramente verdadeira, autêntica, que permite a transição do estado imaturo para a maturidade efectiva do que é ser homem e do que é ser mulher; é no amor, e na extensão de cada um no outro, que se consegue ser. e o que é o não ser a não ser a anulação de si próprio?

quarta-feira, 6 de abril de 2011

em abril mergulhos mil

há quem pense duas vezes antes de agir. mas quando o assunto é mar e sol e areia o melhor, mesmo, é agir duas vezes antes de pensar.

dinheirar é ca(n)sar - quem fica com o n sou eu, que não sou puta

e depois há o dinheiro. o dinheiro - aquela coisa nojenta que anda de mãos em mãos e que, ao que parece, é a coisa mais importante do mundo. o dinheiro é tão importante que se sobrepõe aos valores, ao amor, ao pai, à mãe, ao filho. vive-se, mata-se e morre-se por dinheiro; fode-se por dinheiro; casa-se por dinheiro; divorcia-se por dinheiro. há quem sorria - e quem só ria - por dinheiro e também há quem chore por ele. o dinheiro não move apenas montanhas: o dinheiro move ancas, bocas, olhos, pernas, pés, mãos - o dinheiro move, acima e abaixo, tudo. o dinheiro faz com que alguém que faz poesia venda alma e o corpo da tia - e a alma e o corpo dele próprio; o dinheiro faz com que uma morena fique loira e com que uma loira fique, para sempre, loira. o dinheiro é o melhor amigo dela - o dinheiro é silicone.

(agora fiquei com vontade de cantar. o quê? o dinheiro só pode pedir um fado. mas o fado irrita-me, faz-me comichão, vou cantar uma marchinha)

o dinheiro, o dinheirinho
é tudo o que um dia ele queria
lavar as notas no rio e engomá-las com mestria
trazê-las como uma árvore
carrega as bolas de natal
para ver as bocas abertas
a fazerem sexo oral
nananananananã

(pronto, já me cansei. isto não está a correr bem. falar de dinheiro cansa-me; cantar de dinheiro cansa-me; escrever de dinheiro cansa-me. vou é lavar-me toda porque os meus dedos já cheiram a merda)

terça-feira, 5 de abril de 2011

tatoosquitos

muito eu gostava de ser mosquita para perceber o cérebro dos mosquitos, ou os mosquitos não têm cérebro e só sentem?, se assim for estão desculpados, e descobrir porque tanto gostam de pousar nos vales e nas colinas e nos montes. primeiro vêm de mansinho, sussurrar-me aos ouvidos zes baixinho, e depois começam de cima para baixo ou de baixo para cima - a sentir cada pedaço até tatuarem o desejo. tesão de mosquito não sei se é, não sou mosquita. mas um dia, numa noite inteira, vou segurar o sono, e a luz, e ver tudo. 

(e não, não será pornografia porque de uma coisa eu sei: no reino dos mosquitos não existem frustrações.)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

bacalhau à Sinhã

é simples, rápido e nada gordo: corta batatas suficientes para encherem uma assadeira grande, a comida nunca é a mais porque depois podes congelar, e põe a cozer com bacalhau às lascas e ovos - tudo junto para se misturarem os sabores - e nem precisa de sal. quando as batatas estiverem quase, quase, cozidas, acrescenta um saco de legumes chineses. coa tudo e coloca num recipiente onde acrescentas pimenta q.b. e um fio de azeite prolongado e não esqueças de cortar os ovos aos gominhos. depois de misturares espalha tudo pela assadeira e cobre com maionese (se não há podes fazê-la e fica mais saudável: tira as gemas dos ovos e tritura com azeite e sal). decora com azeitonas pretas e raminhos de salsa e leva ao forno (com ventoínha a 130ºc) aí uns quinze minutos. e já está. eu disse que é simples, rápido e nada gordo.


(depois come no pátio ou na varanda enquanto olhas para as árvores)

Ella, tu, eu

esta Bebe é de tirar do sério - faz, cócegas na alma, sorrir. viva a Bebe que eu tanto gosto!

(bebe, tens de beber)

reina 4ever

não sei bem porque pensam que eu possa ser plebeia quando nasci para ser reina.

(a letra é de plebeia e o som é de rainha)

domingo, 3 de abril de 2011

a verdade: ternura é hermafrodita

nasceu com os dois sexos e os pais podiam bem ter-lhe chamado Asbrúbal ou Glicínia mas não, não: decidiram chamar-lhe Ternura - pela capacidade que mostrou, mal saiu do ventre, ao recusar-se a chorar, em ser superior às reles e básicas características do que é ser homem e do que é ser mulher: recusou-se chorar porque, quando nascem, todos os bebés choram por não quererem sair da ternura e da beleza do mundo do dentro. Ternura nasceu com ternura suficiente para enfrentar o mundo desternurado que é a luta, dos homens e das mulheres, pelo poder.

(sim, é verdade, a ternura é hermafrodita - tal e qual Ternura)


Participação para "Fábrica de Letras"

batatas e grelos

pensando bem, a areia está suja pelo que as marés lhe trazem e deixam ficar. mas as marés não usam sapatos nem garrafas de plástico nem pensos. devo concluir que as marés têm costas largas ou, então, que as gentes têm almas estreitas - é como andarem com a gasolina na reserva uma semana para aproveitarem a promoção quinzenal de menos seis cêntimos quando a promoção semanal é de menos cinco cêntimos. e depois a casa sapo, óptima para repasto, lá para os lados de penafiel, está cheia.

(a lógica da batata faz tanto sentido para mim como o arroz de grelos faz para o chá da pérsia)

sábado, 2 de abril de 2011

porque no amor e na arte, o triângulo é virtuoso

hoje estou disposta a celebrar a minha descoberta com um quilo de maçã bravo de esmolfe: li, ontem, que quando existe amor profundo (o que é coisa rara, muito rara, tão rara como cacar polvinhos cor de limão-tenro-bravo-esmolfe), porque o amor que se vê e se fala por aí é amor de superfície, é não-amor, o homem faz do ver e do pegar e do chupar das mamas da mulher uma arte e um êxtase. e eu já descobri porquê. é que o amor profundo é um triângulo onde cabe o amor físico, o amor mental e o amor espíritual. reunidos os três vértices o homem, em amor profundo por uma mulher, sente-se criança de novo, um bebé, e acrescenta, com espontaneidade e inocência e ingenuidade, ao tesão o desejo de aconchego e alimento. esta componente espíritual, acrescentada à mental e à física, é amar como só pode ser amar. porque no amor e na arte, o triângulo é virtuoso.

(e escolho este fundo para a minha descoberta)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

pilas encelulitadas

uma coisa é certa - queria ter uma praia só para mim, interdita a pés e a olhos e até a sonhos. assim, e porque lamentavelmente as mentiras nunca são demais, a praia é o local mais certo - por cultivar o incerto - para, havendo vontade, uma mulher ser alvo de tentativas de engate.

(nunca tinha visto um homem, de boa aparência, com celutite do cérebro a sobrar também para as coxas. será que lhes cresce, a esses, mais o nariz ou a pila? será que também a pila tem celulite? eu acho que homens assim esforçam-se por transformar a gordura da pila em massa muscular com este tipo de exercício. será que neste momento ele está a colocar detergente da louça nos calções para arrancar a gordura das natas? que carago.)

alegrez

num mundo esquizofrénico, entre a tristeza dos pobres e a tristeza dos ricos, distinguível apenas pelas roupas que vestem e as coisas que têm, só mesmo a alegria ri de si própria - porque anda nua. bem visto, a alegria deveria chamar-se, pelo seu estado natural de nudez, alegrez.

(está decretado)